O segredo do homem que roubava peças íntimas
Na pacata vila das Mariquitas, em Tabocas do Brejo Velho,
Bahia, vivia Carlos Marins de Cuevas, um espanhol de 58 anos, engenheiro naval
aposentado. Solitário, sem esposa ou filhos, ele tinha apenas seu gato preto,
Fred, como companhia. Os dois eram conhecidos por seus passeios tranquilos
pelas ruas do bairro.
Carlos frequentava um bar no centro da cidade, onde
conversava com os amigos e, vez ou outra, cantava canções de sua terra natal,
matando a saudade da família que deixara na Europa. Todos o viam como um homem
respeitável, de boa índole.
Até que um dia, suas vizinhas começaram a notar o
desaparecimento misterioso de roupas íntimas de seus varais. Curiosas,
perguntaram a Carlos se ele também havia perdido algo.
— Aqui em casa não sumiu nada — respondeu ele, tranquilo. —
Está tudo exatamente como deixei.
Mas Selma, uma das vizinhas, desconfiou quando, dias
depois, notou algo estranho: sob a camisa de Carlos, parecia haver um sutiã
azul. Intrigada, decidiu investigar. Instalou uma câmera escondida no quintal e
deixou algumas peças íntimas à mostra.
Para sua surpresa, não só Carlos roubou as roupas, como
também as usava. E mais: ele tinha um verdadeiro acervo de peças íntimas
furtadas das vizinhas.
Selma, chocada, decidiu descobrir o que se passava.
Seguindo Carlos, descobriu que ele tinha uma vida dupla: à noite, trabalhava em
um cabaré local, onde se transformava em **Rebeca**, uma famosa dançarina.
A ironia foi ainda maior quando o próprio marido de Selma,
frequentador assíduo do cabaré, reconheceu uma das peças que havia dado à
esposa — agora vestida por Rebeca. Quase teve um infarto ao perceber que a
dançarina era, na verdade, seu respeitável vizinho.
Carlos, ou Rebeca, tinha um motivo além do fetichismo: ele
queria expor a hipocrisia dos maridos da vila. Roubando as roupas íntimas das
esposas e as usando no cabaré, ele provava que nenhum deles era fiel. Enquanto
as mulheres dormiam em casa, seus maridos estavam lá, desfrutando de sua
companhia.
No fim, Rebeca revelou uma verdade incômoda: todos os
homens do bairro eram clientes do cabaré, e todas as esposas haviam sido
traídas.
E assim, o segredo de Carlos Marins de Cuevas revisitou,
deixando a vila das Mariquitas em polvorosa.
Lydia Dircksheneider
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